Feminismo e a Competição Entre Mulheres
12/8/20252 min ler


O que é o Feminismo?
O feminismo é um movimento social, político e cultural que procura a igualdade de direitos e oportunidades entre mulheres e homens. Não se trata de colocar as mulheres acima dos homens, mas sim de eliminar desigualdades, violências e injustiças históricas que afetam as mulheres.
O feminismo nasceu para unir mulheres. Mas, como tudo o que ganha luz, também traz sombras. E ultimamente, há uma sombra discreta a passear pelos corredores da luta a competição feminina a que gostam de chamar empoderamento.
O que é empoderamento?
O empoderamento é o processo de dar poder ou autoridade a alguém, mas, no contexto social e pessoal, é mais especificamente sobre fortalecer uma pessoa ou grupo, permitindo-lhes ter o controlo sobre as suas próprias vidas e fazer escolhas conscientes. Fortalecer a autonomia, autoconfiança e autoconhecimento.
Parece simples, mas então porque é que cada vez mais ouvimos mulheres que se dizem feministas e a lutar contra outras mulheres?
Atualmente o feminismo grita “sororidade” com o mesmo entusiasmo com que comenta, em voz baixa: “Ela é feminista, mas olha o que veste…”
Ser feminista tornou-se, para algumas, uma espécie de estratégia pessoal. Entre as hashtags e as manifestações, existe uma competição sobre quem é a mais consciente, a mais desconstruída, a mais radical, a mais perfeita na teoria feminista?
A competição instala-se disfarçada de debate, e a solidariedade feminina transforma-se num campo minado de ego e validação.
E o pior? Tudo isto em nome da igualdade.
Há mulheres que só praticam sororidade quando o espelho lhes devolve uma imagem que lhes agrada.
Mas e as outras?
As que não dominam o vocabulário académico?
As que se maquilham “demais”?
As que preferem o silêncio ao holofote público?
Essas, muitas vezes, continuam a ser julgadas, não pelos homens, mas por outras mulheres que se consideram “mais evoluídas”.
O feminismo, que nasceu para libertar, às vezes torna-se num julgamento e a sentença é simples: “Tu não és feminista o suficiente.”
A ironia é fantástica, mulheres a lutar para não serem oprimidas, a oprimir-se entre si pelo método de libertação.
“Ela é feminista, mas ainda quer casar.”
“Ela é feminista, mas gosta de se arranjar.”
“Ela é feminista, mas é demasiado bruta.”
Não há como vencer um jogo onde as regras mudam ao sabor do sentimento da mulher mais “forte”.
O verdadeiro empoderamento não grita — acolhe
O feminismo não precisa de polícia, precisa de empatia. Não de pontuação, mas de compreensão. O verdadeiro empoderamento feminino é o que não teme o brilho alheio.
Porque uma mulher empoderada não sente ameaça, sente orgulho.
Elas entendem que o sucesso das outras não é concorrência, é sinal de caminho aberto.
Feminismo é a ponte, não o pódio.
E a sororidade é saber aplaudir sem precisar ser o centro da fotografia.
Quando o feminismo vira competição, perde-se a essência: a liberdade.
Porquê lutar por igualdade de género se dentro da feminilidade existe uma desigualdade sem limite.
A revolução feminina não precisa de juízas, precisa de aliadas.
E talvez o passo mais radical que uma mulher possa dar hoje seja este:
Não competir com outra mulher, nem mesmo em nome do feminismo.
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